sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Passagem
Aos que dão o azar de chegar aqui, desenganados ou por masoquismo, desejo-lhes nada, no esteio da diferença que para mim faz o tic-tac ou o blim-bom das vinte e quatro horas. Lembrem-se que o tempo de fato não existe e aquilo que contamos é tão falho que "permite" a existência dos horários "de verão". Quando pipocarem seus espumantes, pois, estarão adiantados, como estão os seus relógios. Antes disso, a própria mecânica do Universo já houvera desmentido o calendário, para alertar-nos para a correção a ser feita em 2012, um ano bissexto. Não posso deixar de mencionar Einstein e a probabilidade da existência das dobraduras temporais, que tanto especulamos a partir de "E=mc2". Por fim, se há quem houve sucesso e a quem devemos aplaudir, chamem-no "Ugo Bouncampagno", o Papa Gregório XIII, quem inventou o método moderno para que nos sintamos esperançosos uma vez por ano.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
As duas putas
Alfa é de prata. Beta é niquelada. Alfa é nobre. Beta é alternativa. Alfa é cara. Beta, uma ninharia. Por mais de um milhar e meio de dólares, compra-se a puta Alfa. Por menos de duzentas pratas "reais", uma Beta puta, novinha. Sofri em Sampa para ser apresentado à Alfa. Na internet, sem rodeios, Beta me foi vendida. As duas conhecem minhas pautas, meus dons e meus defeitos. Eu as beijo, igualmente, como quem ama sua esposa e sua puta. Isso, se houvesse diferenças. Como não há, amo as duas, igualmente.
Ambições
Perdi a receita do Carlos
e o rumo da Clarice.
Quem me dera, Olavo, tivesse a sua pena!
Sou ninguém comparado com Bandeira e,
se respirasse o ar de Caeiro,
com Pessoa, por testemunha,
morreria aqui mesmo, de orgulho,
num espasmo fulminante de vaidade descontrolada!
e o rumo da Clarice.
Quem me dera, Olavo, tivesse a sua pena!
Sou ninguém comparado com Bandeira e,
se respirasse o ar de Caeiro,
com Pessoa, por testemunha,
morreria aqui mesmo, de orgulho,
num espasmo fulminante de vaidade descontrolada!
Lépido périplo
Poemas curtos, para serem consumidos rapidamente. Poemas rápidos, para apenas terminá-los. O que se diz num átimo é pouco por ser apenas superficial ou desejável por nos obrigar a divagar sobre as omissões de sentimentos mal explicados?
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Porquês
É por imprudência que esqueço você
e sou perseguido pelo que não fiz,
condenado a perder chances,
amaldiçoado como o cão debilitado,
deitado sobre a carne, sem forças para comê-la.
É por egocentrismo que a deixo partir,
para não me desculpar por ser quem sou,
ou ceder o pranto que me recuso a ter,
ainda que seja exatamente o que preciso.
É por não admitir que haja socorro para nós
o motivo de aceitar que você se vá
e, na distância, que talvez nem exista,
sejamos os estranhos que jamais se beijaram.
e sou perseguido pelo que não fiz,
condenado a perder chances,
amaldiçoado como o cão debilitado,
deitado sobre a carne, sem forças para comê-la.
É por egocentrismo que a deixo partir,
para não me desculpar por ser quem sou,
ou ceder o pranto que me recuso a ter,
ainda que seja exatamente o que preciso.
É por não admitir que haja socorro para nós
o motivo de aceitar que você se vá
e, na distância, que talvez nem exista,
sejamos os estranhos que jamais se beijaram.
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